domingo, 14 de setembro de 2025

ATÉ 2060, TAOKEY




por Ediel Ribeiro


Brasília - O ex-presidente da República Jair Bolsonaro deixou hoje, mais uma vez, sua casa em um condomínio fechado do Lago Sul, em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar para exames médicos. 


Há, entre os filhos e assessores mais próximos, alguma apreensão no que diz respeito à saúde do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Essa apreensão é devido à recente condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Segundo assessores, Bolsonaro se decepcionou com a pouca participação da população nas manifestações contra a sua condenação e em  defesa da anistia aos golpistas, em todo o país. Fora alguns lunáticos e meia dúzia de velhinhas, no Rio e em São Paulo, pouca gente se mobilizou para defender o ex-presidente. 

Um senhor de idade provecta, entrevistado pela rádio JP (Rádio Jair Presidente), alegou que não iria à manifestação porque iria ao estádio torcer para o Fluminense não cair para a Segunda Divisão. A queda de popularidade do ex-presidente em quase 80% de presença nas passeatas a favor da anistia aos golpistas tem preocupado os líderes do PL.

Segundo assessores do ex-presidente, os exames são necessários porque, nos últimos dias, ele tem apresentado quadro de refluxo e soluços refratários. 

- Mesmo levando sustos e colando papel na testa, a crise de soluço não passa,

afirmou Carlos Bolsonaro.


A razão mais óbvia, no entanto, para a internação do presidente, embora ninguém queira admitir, é a queda na popularidade. Depois da condenação, Flávio, o filho Zero Um, teve uma idéia genial: internar o pai para receber a comoção e o apoio da população. Era uma idéia engenhosa, e todo mundo se espantou de não ter pensado nisso antes. 


O problema é que a adesão da população não foi muito grande. Apenas meia dúzia de pessoas enroladas na Bandeira do Brasil, compareceram à porta do hospital de Brasília para apoiar o ex-presidente.

Então, bananinha teve outra idéia, mais genial ainda: 

- Vamos fazer uma Live na UTI!

- Outra Live, senador? Dentro da UTI?, perguntou um aspone (assessor de porra nenhuma. 

- Isso, isso, isso!, vibrou o Zero Três, lembrando Chaves.

- Com médicos, aparelhos e tudo?, quis saber outro assessor.

- Com tudo! Traz também o pastor Silas Malafaia e o padre Kelmon, ordenou Carlos.

- Mas, senador, um padre? Não vai ficar parecendo que o presidente está nas últimas?

- Não interessa! Nós temos que tentar de tudo. O povo gosta de oração, de padre… E depois, o padre Kelmon nem é padre de verdade.

- Por que não esperamos o presidente ter alta para fazermos a live?, quis saber um assessor.

- Não. Vamos aproveitar a comoção do país com a condenação ilegal de Bolsonaro.

- Que comoção, deputado?, perguntou uma enfermeira? - Só quem lamentou foi a Bia Kicis, o Delegado Caveira, o Silas Malafaia, o Tarcísio de Freitas e mais meia-dúzia de militares idosos.

- Não interessa - ele rosnou. 

Foi montado na sala da UTI do Hospital São Lucas, da Rede D´Or, em Brasília, um espetáculo digno de ser visto: aparelhos para monitoramentos, sensores, sondas, médicos, enfermeiras… Com exceção do ex-presidente, todos pareciam se divertir a valer.

Enquanto eram colocados os tubos, Bolsonaro gritou:

- Alexandre de Moraes, seu ditador! Se você pensa que me venceu, tá muito enganado, nisso daê, taokey? Devido a minha condição de atleta, em 2060, estarei de volta à presidência, taokey?

- Porra, pai, nesse pleito, o senhor teria 105 anos, disse Carlos.

- E daê???


*Ediel Ribeiro é jornalista, cartunista e escritor.


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