
por Ediel Ribeiro
Porto - Na minha segunda passagem por Portugal, uma coisa me chamou a atenção: ainda existem jornais impressos no mundo.
No mundo inteiro os jornais impressos estão acabando. No Rio, na banca perto da minha casa, tem mais jogos de raspadinhas que jornais. Só sobraram o Globo, Extra e O Dia, já em avançado estado de extinção.
Pressinto, que num futuro próximo, jornais impressos só serão encontrados nos museus, junto com os livros e a arqueológica máquina de escrever.
Em Portugal, no entanto, os jornais impressos ainda resistem. E são encontrados em bancas de jornais, lojas, postos de gasolina e, pasmem, supermercados. Encontrei no Continente - uma das maiores redes de supermercados de Portugal - mais jornais que em todas as bancas do Leblon, juntas.
Estavam lá, entre vinhos e bacalhau: A Bola, Correio da Manhã, Diário da República, 24 Horas, Diário de Notícias, Jornal de Negócios, Jornal de Notícias, Notícias da Manhã, A Capital, O Jogo, Jornal Económico, Ocasião, Público, Record e o Sol.
Os portugueses gostam de ler. Não só jornais. Um estudo feito pela Universidade Católica Portuguesa, ouviu cerca de mil jovens dos 18 aos 24 anos e concluiu que 40% lê, anualmente, mais de 10 livros. E mais: os portugueses preferem o livro físico. Apenas 17% têm hábitos de leitura digital.
Além dos livros e dos jornais, as livrarias são outra atração de Portugal. A icônica livraria Lello, na cidade do Porto, por exemplo, é uma atração à parte. Lembra, guardada as proporções, o Real Gabinete Português de Leitura, no Rio. Na verdade é mais que uma livraria, é uma catedral, um museu arqueológico do livro.
Todos os dias, uma impressionante fila de turistas, entre espanhóis, japoneses, franceses, portugueses, brasileiros, alemães e norte-americanos, se espremem para visitar a icônica livraria.
Sua abertura, no século XX, marcou um momento alto da vida cultural da cidade, e hoje continua a ser um espaço de referência para amantes da literatura e da arquitetura. O seu interior, repleto de detalhes antigos, transporta os visitantes para outra época. A icónica escadaria, os magníficos vitrais no teto, as prateleiras imponentes, os bustos e os pilares esculpidos com grandes nomes da literatura portuguesa fazem desta livraria um lugar único.
Encarei a fila. Perdi 5 euros (R$ 31,41) da entrada. Perdi, não. Eles abatem na compra de livros.
A Lello é uma das livrarias mais bonitas do mundo. É uma das atrações mais visitadas no Porto e certamente uma das livrarias mais famosas do mundo. Localizada na cidade do Porto, em Portugal, a Livraria Lello ficou ainda mais famosa depois que surgiram boatos de que J.K. Rowling teria se inspirado na escada vermelha em espiral para criar o cenário da escola de bruxos em Hogwarts, da série Harry Potter.
Esses boatos já foram desmentidos pela autora, que disse nunca ter estado no local, embora tenha morado por um tempo no Porto. Apesar disso, a fama da livraria se espalhou, atraindo milhares de turistas. São cerca de um milhão de visitantes por ano.
Apesar do desmentido, até hoje, nos fundos da livraria, há um espaço dedicado somente para suas obras, focado na série Herry Potter.
*Ediel Ribeiro é jornalista, cartunista e escritor.
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