sábado, 6 de setembro de 2025

MINHA VIAGEM À PARIS

 



“Prefiro morrer de pé a viver de joelhos", disse Stéphane Charbonnier, o cartunista "Charb", antes de ser assassinado pelos terroristas.



por Ediel Ribeiro

Paris - Em minha visita à Paris, em 2023, eu tinha três propósitos: visitar a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e a antiga redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, na Rue Nicola-Appert, 10, no 11º arrondissement de Paris, onde aconteceu, em 2015, o atentado que matou 12 pessoas.

Visitei os três.

A cidade estava um caos. O tumulto ocorrido naquela semana em Paris e em várias cidades da França, foi desencadeado pela morte de Nahel Merzouk, um adolescente de 17 anos com ascendência marroquina e argelina baleado à queima-roupa por um policial durante uma blitz de trânsito em Nanterre, um subúrbio de Paris. Havia policiais no entorno da Torre Eiffel e nas margens do Rio Sena.

Depois de visitar o Arco do Triunfo, peguei um taxi até a Torre Eiffel, é perto. Depois da Torre, caminhei em direção ao Rio Sena, atravessei a Pont d´léna, a passagem que liga a Torre Eiffel ao lado oposto do Sena, onde ficam os Jardins du Trocadéro; segui pela Rue de La Fédération até a Nicola-Appert. O percurso é curto, cerca de 1.5 km, e leva aproximadamente 18 minutos de caminhada.

Tomar um café nesta rua pode parecer uma experiência comum, mas está carregada de história. Na Nicola-Appert, 10, foi onde ocorreu o massacre do Charlie Hebdo, um atentado terrorista que atingiu o jornal satírico francês Charlie Hebdo, em 7 de janeiro de 2015, em Paris, resultando em doze pessoas mortas e cinco feridas gravemente.

A rua é dedicada ao francês Nicolas Appert, inventor da conservação de alimentos em lata, uma técnica que revolucionou a forma de conservar alimentos. A rua foi construída em 1985 e desde então testemunhou vários eventos significativos. 

Um dos locais de maior interesse - e também o mais visitado - é a antiga sede do jornal satírico "Charlie Hebdo", localizada no número 10, onde ocorreu um trágico ataque terrorista em 7 de janeiro de 2015. Doze pessoas perderam a vida nesse ataque e uma placa comemorativa agora recorda esses indivíduos. 

Entrar no prédio onde funcionou a redação do ‘Pasquim francês’, é voltar no tempo. As paredes pintadas de branco pedem paz e escondem, entre camadas de tinta, o sangue dos artistas mortos em nome de Maomé, um deus que nunca pregou a morte, nem a guerra.

Do lado de fora, nas paredes do prédio da Rue Nicola-Appert, um grafite com o desenho dos mortos no atentado, não deixam os franceses esquecer o fatídico dia 7 de janeiro. Alí, ao pé do grafite, as pessoas ainda hoje, passados 11 anos do atentado, ainda depositam flores e fazem fotos para lembrar o massacre.

Entre os mortos, estavam os cartunistas Stéphane "Charb" Charbonnier, Jean "Cabu" Cabut, Georges Wolinski, Bernard "Tignous" Verlhac e Philippe Honoré. Stéphane Charbonnier, o Charb, era o diretor e editor-chefe do Charlie Hebdo, sendo o autor de muitas das caricaturas polêmicas e controversas que o jornal publicava; Jean Cabut , o Cabu, um dos cartunistas mais antigos da revista, foi quem desenhou a caricatura de Maomé, publicada em 2006, que já era uma resposta a uma polêmica semelhante; Georges Wolinski, o Wolinski, era um cartunista de grande influência e reconhecimento mundial, famoso por seus trabalhos com forte teor político e erótico;  Bernard Verlhac, o Tignous, era um cartunista e ilustrador que colaborava com o jornal e outras publicações francesas e Philippe Honoré, outro cartunista do Charlie Hebdo, também falecido no ataque de 2015. 

A caminhada me deixou cansado. A uns 300 metros dali, na 24 Rue Saint-Ambroise, parei na Brasserie Martin, um tipo de restaurante francês descontraído, que oferece um cardápio variado e constante durante todo o dia. Tomei umas cervejas e comi a tradicional Sopa de Cebola.

Na parede de entrada do bar, alguém escreveu a frase "Je suis Charlie" (francês para "Eu sou Charlie"). A frase transformou-se em um sinal comum, em Paris e em todo o mundo, para prestar solidariedade contra os ataques e na luta pela liberdade de expressão.


*Ediel Ribeiro é jornalista, cartunista e escritor.



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