domingo, 13 de setembro de 2026

E O ‘OSCAR’ VAI PARA…





por Ediel Ribeiro


Rio - Imaginemos que, num futuro distópico, o filme “Dark Horse” venceu o ‘Oscar’ de melhor filme estrangeiro.


Ao receber a notícia, em Brasília, Flávio Bolsonaro ficou mais feliz que formiga em tampa de xarope:


- Eu sabia! Eu sabia! - gritou o senador - Vai ser um sucesso mundial.

Já estou projetando uma bilheteria de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões).


- Senador, isso é 316,67% maior que a bilheteria de ‘Minha Mãe é uma Peça’, o maior sucesso de público da história do cinema nacional - questionou um assessor.


- E daí? Você acha que o filme não tem potencial para isso? É uma

superprodução. Só a peruca do Jim Caviezel foi alugada por R$10 mil.


- Pensei que tinha pegado emprestado com o Beiçola - ironizou o

assessor.


O Zero Um, caprichou:


- Fique sabendo que Jair Bolsonaro agora está no panteão da política

mundial, ao lado de Adolf Hitler, Benito Mussolini, Josef Stalin, Idi Amin Dada, grandes homens que tiveram suas vidas e regimes retratados em filmes biográficos ao longo da história do cinema.


- São todos ditadores sanguinários, senador - lembrou o assessor.


O senador engoliu em seco. Flávio anda mais enrolado que Karina da Gama tentando explicar o financiamento do filme.


- Senador, estão dizendo que o “Dark Horse” é um filme de ficção feito

por uma facção.


- Calúnia! Isso é coisa dessa imprensa marromzista! Parece que  todo o

mundo entrou para um complô contra o filme. O filme é privado. Patrocinado por um empresário privado. Com dinheiro privado. Tudo privada! Digo, privado - berrou o Zero Um.


- Nós vamos andar pelo tapete vermelho, senador? - quis saber o

assessor.


- Vermelho? Só vou se eles trocarem a cor do tapete.


- Senador, como o senhor vai a premiação se está proibido de deixar o

país e de tornozeleira eletrônica.


- Tá, vou ver pela TV - resmungou Flávio.


- Não fique triste, senador! O Vorcaro, o Mário Frias e a Karina da

Gama, também não vão, ou estão presos ou de tornozeleira eletrônica. 


O assessor liga a TV. 


- Vai começar, senador - avisou.


O semblante do senador muda quando o título do filme aparece na tela:


- “MEU PAI É UMA FARSA”!!?? Este não é o título original do ‘meu’ filme -

berrou Flávio.


- Os americanos sempre trocam o nome dos filmes para países latinos

americanos - lembrou o assessor.



   A película começa com imagens dos policiais federais examinando a tornozeleira do ex-presidente, destruída por um ferro de solda. Em flashback, a cena mostra o início na vida militar; a prisão do ex-presidente, acusado por uma reportagem da revista Veja de planejar explosões em vilas militares e na adutora do Guandu para pressionar por aumentos salariais; as mortes de 700 mil pessoas na pandemia; a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023; os escândalos do Banco Master; as emendas parlamentares destinadas ao filme; os desvios de dinheiro dos aposentados para financiar o “Dark Horse” e a vida nababesca de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.


- Esse não é o filme do meu pai - berrou Flávio.


- É verdade. É um documentário. Os americanos acham que a vida real do

ex-presidente vai fazer mais sucesso que a ficção.


Flávio ficou furioso e disse, sarcasticamente:


- Bem, não se pode dizer que não tentamos.


*Ediel Ribeiro é jornalista, cartunista e escritor.




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