por Ediel Ribeiro
Rio – Outro dia, escrevi uma crônica sobre os cartunistas que ‘abundam’ (caraca, que língua a nossa!) o nosso país.
De Minas Gerais, citei vários. Entre eles, Mario Vale, talentoso cartunista do jornal ‘Hoje em Dia”. Ano passado, de passagem por Belo Horizonte, lamentei não ter me encontrado com ele.
Hoje, através do cartunista Lute (que trabalhou com ele por mais de 20 anos no ‘Hoje em Dia’), com pesar, fiquei sabendo do falecimento do cartunista.
Mario Vale era mineiro de Belo Horizonte. Formado em Direito pela PUC-Minas, era artista plástico, cartunista, chargista, programador visual, autor e ilustrador de livros infanto-juvenis. Fez oficinas criativas com crianças, escreveu e ilustrou mais de 30 livros. Muitos premiados.
Desde criança sua vocação sempre foi a arte. Apaixonado por desenho, fez vários cursos na área, como o de desenho industrial e o de audiovisual, com o objetivo de aperfeiçoar sua técnica. O cartunista produziu e dirigiu programas de TV, foi chargista de jornais e revistas em todo país e participou de inúmeras exposições de arte.
Pela Editora RHJ, publicou 17 títulos: O Elefante e a Formiga; Passarolindo; A Festa do Macaco; Picote e o Carro de Papel; Pé de Letra; Quatro Amigos em Forma; Chão de Barro; Pirilampo; Luciérnaga; Passinho; Ploc; Meninos Espertos; Marionete; Bzzz Bzzz; Um, Dois e Já; A Baleia e o Submarino; e Picote, o Menino de Papel.
Em mais de 40 anos dedicado as artes, possui charges publicadas em diversos jornais e revistas de todo o País, tendo participado de inúmeros salões e exposições de humor. Durante 14 anos consecutivos, publicou diariamente ilustrações e uma coluna fixa no caderno de cultura do diário ‘Hoje em Dia’. Criou 12 desenhos animados que foram veiculados nacionalmente pela Rede Globo de Televisão.
Sua obra recebeu vários prêmios, no Brasil e no exterior, entre eles o Prêmio Cartum no XIII Salão Internacional de Humor de Piracicaba, 1995; Prêmio cartum no I Salão Internacional da Bahia, 2001; Prêmio cartum V Salão Internacional de Pernanbuco, 2003; Menção Honrosa no V Porto Cartoon - Portugal, 2003; Selo Altamente Recomendável (FNLIJ), Prêmio Jabuti e Prêmio Luís Jardim – FNLIJ – com “A linha do Mario Vale”, eleito o melhor livro de imagens de 2007.
Suas obras foram adotadas em vários programas de governos federal, estadual e municipal, sendo selecionado para importantes projetos, como por exemplo o “Clube de Leitura ODS”, da ONU. Durante anos trabalhou com arte-educação, utilizando técnicas de recorte, colagem e dobradura em papel, ministrando oficinas de criatividade para crianças e professores da rede escolar.
Bem humorado, colecionava 'causos' engraçados vividos nas redações de jornais.
Uma história ótima do Mário contada pelo Lute: “Um colunista (se não me engano foi o Roberto Drummond), inconformado com a fase do Atlético Mineiro, e em protesto pela péssima fase do time, mandou só o título da coluna. Sem texto algum, algo como - não tenho mais nada a dizer sobre esse time! E chegou na Editoria de Arte essa pérola para ser ilustrada. Marão (era assim que o chamava) não se fez de rogado, pegou um papel em branco assinou e enviou como ilustração da "coluna"! Rsrsrs. Genial!!! Quem não entendeu a genialidade foi o pessoal da gráfica que ligou de madrugada desesperado com o 'buraco' que estava no lugar da ilustração do Mário, na página de esportes do jornal.
Recentemente, a 4.ª edição do Festival Literário Internacional de Itabira – Flitabira fez uma homenagem ao artista com a exposição “Humor para Leitura”, em 30 flâmulas afixadas em postes na Avenida Carlos Drummond de Andrade. Originalmente, a ideia foi concebida para a inauguração da livraria “Sempre um Livro”, em 1989, sob a curadoria do publicitário e escritor Fernando Fabbrini que criou as frases, ao lado de Humberto Werneck e Gilberto Scarpa. Mario Vale fez 14 ilustrações para as frases que vão compor a exposição. Na época, foi feita uma série de camisetas bem humoradas de incentivo ao hábito da leitura.
Frases como “A TV não sabe ler”, “O Ministério da Saúde adverte: ler pode melhorar sua saúde mental”, “Ler ou não ler: eis a questão” e “Livro, fonte natural de vitaminas”, juntamente com seus cartuns, foram expostas em flâmulas, em formato de 2 metros de altura por 30 centímetros de base.
Mario Vale era querido por todos no meio artístico. O cartunista Samuca Andrade escreveu: “Cartunista de primeira linha. Não usava tons de cinza. Era puro traço preto no branco. Um gênio”.
Adeus, parceiro!
* Ediel Ribeiro é jornalista, escritor e cartunista.

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